Qual é o Seu Nome?

Publicado: quarta-feira, 6 julho, 2011 em Uncategorized

Qual é o seu nome? Talvez, quando você terminar de ler este texto, seu nome mude. Passei as ultimas horas de hoje fundamentando uma teoria e, talvez alguém já tenha pensado nisto antes pois ela é bastante lógica.

O ser humano já há algum tempo acredita ter subido degraus o suficiente para poder subir ainda um pedestal e concluir que estão num local de visão privilegiada e acima de tudo que é vivo. Antes de mais nada, vamos tentar desmitificar algumas coisas que são meras invenções.

Primeiro, tudo que é classificado, enquadrado, rotulado, não passa de um artifício para agrupar as coisas. Temos um problema seríssimo em sermos escravos de nossas invenções, e isso é um problema.

Mas o que é vivo? O melhor exemplo que você pode me dar é comparar a si próprio com uma pedra e, dizer que ela é uma figura inanimada. Além disso, o passo seguinte é afirmar que a inanimação beira a imutabilidade (uma pedra sempre será uma pedra) e, a desimportância (uma pedra não serve pra nada).

Bom, então, o que é vivo é tudo aquilo que não é uma pedra. Aquilo que é organico. Aquilo que é ORGANIzado. Uma célula sua é viva então, certo? Ela é parte de você. Perde-se um braço mas não a identidade. Você não passa a ser parte do que era, nem seu braço, estirado no chão, somente um braço. Seu braço é você e você é seu braço.

O que é o planeta Terra então senão uma pedra? Uma pedra com camadas que estão em estados diferentes devido à temperatura. O que é você nessa pedra, senão um braço do seu corpo? Na verdade, não um braço, mas uma fração de parte da poeira de sua superfície. E a vida o que é agora?

Seu nome é planeta Terra e o sentido da sua vida, atualmente, é girar em torno do sol. Por mais que você negue, por mais que você chore, por mais que você implore, até que a organização da via láctea se mantenha desta forma, essa é a realidade.

Você possui uma série de células que individualmente se diferenciam das demais. Algumas possuem mais lisossomos que outras, outras possuem receptores celulares diferentes, mas todas são células, como nós, que temos uma característica ou outra que nos diferencia, todavia, somos todos humanos. Você nunca vai virar para uma célula sua, uma mitocôndria que seja, e vai dizer que ela é maior que você. Que ela é o sentido, a razão, o motivo, o centro da existência. Isso chega até a ser engraçado. Imagine você olhando para o seu esperma e dizendo que aquilo ali é o tudo e você o nada.

Me explique então porque o ser humano, em seu pedestal imaginário, se coloca numa posição superior ao planeta? Escravos de nossas invenções, eu digo.  As pessoas questionam o niilismo, muitas vezes, porque não conseguem conceber uma vida com menos sentido, ou, com sentido nenhum. Pra mim, é muito mais fácil viver assim, do que com as correntes malucas que estamos fundamentando cada vez mais.

Não existe vida, não existe morte. Existe o movimento. Aquele braço amputado que eu citei vai ser consumido por bactérias, fungos e animais. Cada proteína, cada aminoácido, cada célula, cada átomo, vão ser consumidos e, talvez um dia, na carne que você coma, na grama que a vaca quevocê comeu coma ou, no feijão, retornarão para você. Isso significa que, em um dado momento, você está se alimentando de ‘parte’ de algo que já foi ‘vivo’. Entretanto, esse processo micro pouco importa se você é um planeta.

Esse assunto costuma cair no ‘somos diferentes sim, pois pensamos’. Isso é a convicção de alguém que não sabe que é um planeta. Agora, claro, o lúdico é importante, só não se pode ser escravizado por ele e tomar como verdade.

É interessante acreditar que temos mais do que fazer a não ser girar em torno do sol ou participar dos ciclos de maneira passiva.

 

Talvez façamos parte de algo que serve apenas para contrapor a forma como a matéria é. Ouvi o conceito de fractal uma vez e tudo se encaixa se eu pensar desta forma. Pelo que eu entendi, um fractal é uma imagem geométrica distinta, mas que é na realidade um todo que é dividido em partes iguais. O átomo, ou algo de categoria atômica, é a nossa unidade básica. Você não é tão diferente de uma pedra. Você só é organizado de maneira diferente.

Logo, eu lhe faço outra pergunta. Porque nós não conseguimos conceber uma forma mais tranquila de levar a vida, tendo em vista que pensamos e, estamos aqui por algum tempo compartilhando esse sereno giro ao redor do sol?

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Eu gostaria muito de ter uma boa resposta, mas eu só consegui pensar até aí. Sei que somos um. Posso até dizer que somos Deus. Posso dizer mais ainda, somos o ser. Não existe divisão, a divisão é uma invenção que tem nos escravizado há muito tempo. A distância entre o núcleo de um átomo e o elétron mais próximo é imensa, como é a distância do Sol para nós (talvez mais até), mas um átomo não deixa de ser um átomo e o sistema solar não deixa de ser um sistema por conta desta distância.

E, é por pequenas, médias e ínfimas distâncias que nós acreditamos na divisão. O que é a religião? É um pensamento compartilhado por algum entre trilhões de seres que vivem em um planeta. Como isso pode ser maior do que nós? Como isso pode ser maior que o planeta ou, o universo?

Como eu falei antes, o lúdico é bom. O lúdico só não é maior que o todo. Se as pessoas aprenderem a separar o que é criado para nos dar conforto e preencher nossos 365 dias, do que é essencial, está tudo certo.

Mas tal qual os átomos, somos organizados e desorganizados. E os choques parecem inevitáveis. Eu vou tentar viver minha translação numa boa aqui, e pra você, boa sorte. Só não esqueça qual o seu nome a partir de hoje.

 

 

Religião e Futebol São Iguais

Publicado: sábado, 14 maio, 2011 em Uncategorized

Como brasileiro, nasci interiorizando a cultura do futebol. Apesar de em 94 eu ainda estar completando 7 anos, acompanhei desde as eliminatórias até aquele suado 0×0 contra a itália. Os erros brasileiros nos penalties e aquela linda bola que o Bággio jogou para nós. O cartaz dos jogadores em homenagem ao Senna também foi algo impressionante. Lembro que chorei muito, de soluçar.

No futebol há muita paixão e beleza, claro. Conheço muita gente que gosta muito e, as vezes chega a tratar o assunto com certa cegueira. Como quando seu time não está fazendo uma boa temporada, porém você usa todos os discursos possíveis, desde o juiz ser ladrão, até o fato de que o outro time que o derrotou é muito pior que o seu.

Quando o Vitória vence o Bahia em casa, quem está certo? Ou melhor, que torcedor é melhor que o outro?  A verdade é que no futebol não existe certeza. O São Caetano pode ser um time da Série C, ir para a copa do Brasil e ganhar do Flamengo no maracanã lotado. Seguindo esta mesma linha de raciocínio, é justo que cada um torça para o time que quiser. Mesmo que você seja torcedor do Flamengo, uma coisa é imutável, nada te faz superior ao Vasco e todos os outros times.

Pode-se discutir as grandezas dos times? Claro. O Barcelona por exemplo, eu considero um time bem estruturado e, maior que a Fioretina, por exemplo. Posso comparar sua estrutura com o Inter de Milão, Milan, Real Madrid, mas, o que permanece imutável é que as características dos times não são transferíveis às pessoas. Antes de mais nada, é preciso que fique claro que eu posso torcer pra qualquer time. Posso torcer pro Galatassaray da Grécia, Nagoya Grampus do Japão, Ibis, Galícia, etc… É direito meu escolher meu time segundo meus critérios, e, lógico, quem julga se os critérios são bons ou não sou eu pois, é meu direito escolher aonde e como eu quero investir minhas emoções.

Se eu torço para o Barcelona nada me faz melhor que um torcedor do  Bahia, quem dirá se eu torcer para o Vitória, Botafogo, Palmeiras… É normal que se discuta e questione a história, a conduta, a organizaçao dos times, e, até mesmo, dos jogadores, mas não faz sentido isso se aplicar às pessoas que são os torcedores. De uma maneira geral, isso ainda está tranquilo no futebol. Agora eu lhe pergunto, porque na religião não é assim? Analise e perceba as semelhanças.

Tal qual no futebol, na vida nos temos muitas religiões (ou times) que são suportadas por adeptos (ou torcedores). Dentro de cada uma delas nós temos um sistema organizacional rígido ou dinâmico que incluem padres, pastores, grupos, cantores, papas pais de santo, mediuns (jogadores, técnicos, diretores, lobistas, cartolas, etc…), algumas religiões são mais conhecidas, outras menos. Algumas interagem mais com a sociedade, outras menos e, algumas possuem conduta duvidosa aos olhos de alguns e, soberania e tranquilidade aos de outros.

Percebe as semelhanças? A questionabilidade sempre vai existir. Algumas vezes como uma coisa positiva, como no futebol, quando o time passa por uma fase ruim e se pergunta à diretoria quando virão n0vos jogadores, quando aquela situação será reestruturada, o que pode ser feito, quais as respostas àquelas perguntas. Questões também são cobradas das religiões, sobre tudo. Algumas posições são duvidosas, claro, mas cabe ao adepto ter consciência e decidir se ele vai indagar com base naquilo que ele acredita ou, ele apenas vai obedecer inquestionavelmente.

Também como no futebol, existem torcedores extremistas. Eles acham que estão fazendo o bem para o time, que pode significar brigar com os outros clubes, intolerância, atentados à sedes, protestos e, pode ou não ser da vontade do time em si. De qualquer maneira, tais atitudes podem ser questionadas quando se põe em cheque o sentido do futebol. Pra que serve este esporte? Para entreter. O sentido do futebol é este. Então tudo que extrapola de maneira absurda este sentido, não vale a pena ou, não é justo tornar algo interiorizado no futebol. Analogamente à religião, seu sentido é trazer conforto, respostas e/ou algo que cada um toma como sentido para si. Gosto de sintetizar essa mistura individual de busca em ‘fazer o mundo um pouco melhor’, para si ou para todos. Bom, toda religião que extrapola tal idéia, pode (e algumas vezes acredito eu que deva) também ser questionada.

Engraçado que eu comecei a fazer estas analogias hoje, quando no meio da aula o professor perguntou aos alunos “qual é a sua religião?”. Quando eu respondi ‘sou ateu’, ficou parecendo que eu matei uma galinha a machadadas no meio da sala frente ao silêncio e a estranheza para as pessoas. Mas o pior não foi isso, foi eu ter que justificar a minha descrença. Se você é cristão(ã) e pergunta para alguém qual sua religião e ela diz ‘católico’, pronto, está tudo tranquilo pois ela compartilha de ideais parecidos com os seus. Agora, se a pessoa diz ‘umbanda’, ‘ateu’, ‘satanista’, ‘agnóstico’, ‘universalista’, é comum que se adote uma postura de superioridade, raiva ou questionabilidade.

Então foi dito ‘eu sei que você não acredita nele, mas eu vou te dizer uma coisa que talvez você não goste. Ele existe!’. Da mesma forma, pergunto. Você torce pra que time? ‘Eu torço para o Vitória.’ ‘Bom, você pode até não gostar do que eu vou dizer, mas o Bahia é melhor’. É a mesma coisa. A mesma falta de autoridade que eu tenho para dizer que a minha escolha é superior a sua, é invertida no seu caso. Pode conversar sobre quem é melhor que quem? Sim, mas isso não é transferido para o caráter pessoal. A escolha é individual. E, agora vem o grande ponto. As crenças inseridas nas religiões, como pecado, costumes, são igualmente questionáveis e aplicáveis somente no âmbito que confere à sua congregação. Um time de futebol pode afirmar que ali só jogarão nativos do país ou região, ou que todos devem cortar a barba ou, que antes dos jogos é proibido fazer sexo. Nas religiões algumas regras são impostas e, a justiça só existe se os preceitos forem cobrados unicamente de quem concorda com a religião em si. É o mesmo que tentar impor a vontade da diretoria do Vasco para a diretoria do Flamengo. Cada um respeita as suas decisões e fica tudo tranquilo.

Tal qual no futebol, na vida torcer é opcional. Por mais que você ache que seu time é o melhor, que o seu time é o mais correto e o único capaz de lhe proporcionar a glória das maiores competições, você não pode ultrapassar a barreira do direito individual. Seu time não é o melhor para todos pois cada um deve escolher o que é melhor pra si, independente das suas convicções. Além disso, independente do time que você torcer, questionar quem se é enquanto pessoa por causa de que time torce, é ridículo e injusto. As pessoas são suas ações, não seus times. Se você consegue transportar essa comparação para a religião e, agir no seu cotidiano desta maneira, parabéns, enquanto pessoa, pelo menos, parece que você é bastante compreensiva e tolerável, mesmo que seu time tenha tomado 6 gols no último final de semana.

Stalin estava errado. Einsten, certo. O que prevalece e consegue se estender no horizonte, o que consegue ultrapassar todas as barreiras do universo e percorrer a maior distância possível e inimaginável é a estupidez humana. A capacidade humana existe, todavia é limitava pela sua extrema e sempre surpreendente estupidez.

Fico me perguntando como nós conseguimos chegar no ano de 2011 ainda. Fico me perguntando quantos anos mais conseguiremos. Cada segundo é um recorde, cada estação é um milagre. Entre na minha capsula do tempo imaginária que eu vou lhe contar uma pequena e estúpida história.

Nos tempos mais remotos nós dizimávamos nossos vizinhos por estes possuirem recursos naturais e nós, como exímios idiotas, exaurirmos os nossos. Logo, todos passaram a auto-sabotarem seus próprios recursos de maneira mais ou menos uniformes e nós acabamos por escolher outros motivos para matar uns aos outros. Um dos primeiros e mais duradouros, foram os tesouros. Antigos reis cruzavam tudo e faziam tanto que podiam para poderem roubar o tesouro do inimigo. Depois vieram as mesmas disputas por terras e por pessoas. Sim, pessoas. Não da forma boa. A escravidão é que moveu a maioria dos reinos do mundo antigo.

Se a escravidão não foi a pior atitude humana, sem dúvida é uma das mais curiosas. Engraçado o fato de que todas as outras atitudes anteriores possuem algo em comum, algo importante e nefasto. O ‘eu’. Sim, o egoísmo com proporções egocêntricas conseguiu vedar o que de tão óbvio chega a ser ridículo. Um rei que ataca o outro reino, por água, por terra, por tesouros, está pensando em si. Em seu reino, em seu ego, em seu povo. Altruísta (muito difícil) ou não, ele está errado. Sim, o Rei deve ser deposto (e de fato foi depois de alguns séculos de cegueira).

Depois, o que temos em seguida na história da humanidade são as repetições. Primeira guerra mundial: os novos reis, chefes de estado das potências mundias decidem que a África é um continente inferior e deve ser partilhado para dividir suas riquezas entre eles e deixar, para os africanos, a miséria e a desgraça de um povo explorado, cheio de conflitos. Alemanha e Itália ficaram com migalhas da partilha e a guerra explodiu. Segunda guerra: tensões do expansionismo da alemanha nazista ( junto com o Japão e Itália) lutam contra o mundo. Entre outros conflitos, uma palavra mais em comum. O interesse. O ‘eu’ perseguidor.

Agora, século XXI. Quando, se eu contasse para alguém de outro planeta, talvez, sem imaginar o que é ser humano e o que é viver neste planeta, porém demonstrasse os efeitos e causas dos nossos principais problemas, certamente pensariam: ‘Certo, então depois deste tempo todo vocês conseguiram se entender’.

Errado, erradíssimo. Nunca estivemos tão longe. Nunca antes fomos tão imbecis. Não que sejamos tão idiotas quanto na época da escravidão, da inquisição ou das grandes guerras. Mas porque nós conseguimos mais uma vez superar nossa estupidez. Quando o ‘Grande Manual das Coisas Mais Absurdas e Imundas que Jamais Devem Ser Repetidas Novamente’ parecia completo, nós adicionamos novas fórmulas e, até plagiamos. É desolador.

Atualmente os mais proeminentes fatos residem no que o outro faz e não é da sua conta mas você quer muito prevalecer sua crença. Não fale mal do povo Islã (ou dos Judeus) pois eles irão colocar uma bomba na sua cabeça e explodir o seu metrô. Os caras estão brigando há dezenas de anos e, creio eu, muitos já nem sabem o por que nem como isso tudo começou. O mesmo vale para os cristãos, que mesmo com o seu livro sagrado dizer para não julgar e, para amar o próximo, acha-se no direito de brigar pela hegemonia de seus valores imutáveis frente a um mundo que, pasme, gira e muda a cada segundo.

Apesar das constantes novidades, algo ainda não mudou em nós. A nossa capacidade de sermos egoístas. Ouvi um comentário bastante profundo hoje de um ser humano imutável e, potencialmente estúpido. Ele disse que, frente aos valores deles, se dois homens se beijassem em sua frente ele seria preso pois não conseguiria conter sua violência para si.

Isso me faz pensar na bestialidade a que estamos submetidos. Pensei: ele te beijou? ele te forçou? ele te magoou? ele te xingou? ele te bateu? ele te matou? Ele, essencialmente, não lhe fez mal nenhum. Ele, só fez uma coisa. Ele fez. Isso, ele foi. Ele usufruiu do que a existência lhe oferece. Esqueça esse papo de família e valores cristãos, pois é furada e não serve para justificar atos. A naturalidade também não vale, uma vez que há homossexuais na natureza. Logo, o que vale? Vale você cuidar da sua vida e não supervalorizar o ‘eu’. Tão simples que parece que dá pra desenhar.

Na realidade, dá sim. É rápido. Pegue um papel e uma caneta e faça um círculo. Este é o seu planeta. Faça vários pontinhos de maneira aleatória mas com bastante velocidade. Chega um momento que fica difícil contar quantos pontos exatamente estão ali pois alguns pontos acabam se sobrepondo. Isso somos nós e nossas vontades. Enquanto nós sobrepusermos nossa vontade sobre a liberdade dos outros, será impossível conviver neste pequeno círculo.

Que você não aceite o Islã, mas que aceite o humano por trás do Islã. Existe um ser ali, igual a você. Que os palestinos não concordem com Israel, mas que respeitem cada ser humano presente e, principalmente se abracem ao invés de explodirem uns aos outros. Que o católico não gosto da homossexualidade, mas, que principalmente, só abra a boca para dizer coisas que dizem respeito a sua vida. Nada que acrescente o ódio e a ignorância é positivo.

Sem relativismos, sem poréns. O certo é viver e respeitar os limites dos outros. Os limites dizem respeito a atrapalhar a vida das outras pessoas. De fazer mal. O certo é não fazer o mal. Se você não faz o mal, você está certo. Não é bom matar outros, não é bom proibir as pessoas de viverem suas vidas e, principalmente (vou repetir 3 vezes para você entender), a pior coisa que você pode fazer é querer limitar a liberdade das pessoas aos seus valores. Uma frase antiga explica: A liberdade do outro estende a minha até o infinito. Viva sua vida mas não sobreponha os círculos.

a pior coisa que VOCÊ pode fazer é querer limitar a liberdade das pessoas aos SEUS valores

a pior coisa que VOCÊ pode fazer é querer limitar a liberdade das pessoas aos SEUS valores

a pior coisa que VOCÊ pode fazer é querer limitar a liberdade das pessoas aos SEUS valores

Pronto. Coisas lindas ditas, agora voltamos ao mundo. Se você ler o último parágrafo para uma criança de cinco anos, ela vai entender. Pois é obvio que matar outra pessoa e limitar a liberdade alheia com base nos valores de outra pessoa, não são coisas interessantes de se fazer.  No exemplo do cristianismo, não se pede que a homossexualidade deixe de ser pecado. Você pode instituir que andar de bicicleta ou andar de uma perna só seja pecado, problema seu e de seus seguidores. O que não pode é você dar um tom maléfico para o ato e tratar os que cometem tal pecado como seres obscuros das profundezas do inferno que obrigatoriamente devem mudar de conduta. Se você for um pouco inteligente você vai perceber que nem todos são cristãos e, bingo, todos possuem direito de não o serem. Então, não julguem a humanidade como se todos devessem ser algo que verdadeiramente não possuem a obrigação.

Outra coisa, sua religião deve servir para unir as pessoas e fazer o mundo ser melhor. Se sua religião não consegue fazer isso, me desculpe, mas você está perdendo tempo dentro de um saco de merda que só está piorando as coisas. Sua religião não é boa, observe.

Por fim, muitas pessoas adoram se manter na ignorância. Se você conseguiu chegar até aqui, e discorda de tudo que eu falei, parabéns. Pelo menos você soube ouvir. O fato é, lembra desse desenho que eu pedi que você fizesse? Pois bem, esse círculo vai explodir em breve, talvez pelos nossos próprios esforços. Seja porque iremos repetir antigas guerras, seja porque não conseguimos conservar nossos recursos.

Pode se passar 10, 20 anos. Tudo vai continuar da mesma forma. Quando você olhar para o noticiário e ver que o mundo está uma merda, saiba, é sua culpa também. Ou porque você é um escravo do sistema e diz ‘sim!’ para todas as coisas, ou porque você não fez nada, sequer gritou, quando o absurdo bateu na sua porta.

Enquanto isso, eu sempre vou dar risada quando ver um tsunami acenando para a minha cidade no horizonte. Porque aí, finalmente, estaremos todos juntos em desgraça. Quem sabe assim, no extremo caótico possível, quando um católico tiver sua vida salva por um pecador, um palestino abraçar o ente querido de um israelita ou, um patrão receber a ajuda de um proletário, possamos entender que o caminho certo não está na nossa incapacidade de mudar e sermos os maiores estúpidos do reino animal.

Pode não ser certo mas boa parte das mulheres classificam os homens em pelo menos duas classes. Os que são descarados e os que não são (para as mais xiitas na realidade traduz-se como os um pouco menos descarados). Não muito diferente, os homens que conseguem ter discernimento e malícia suficiente para classificar mulheres em outras subdivisões que não incluam peito e bunda trazem os seguintes grupos: As que gostam de você pelo que você tem, as que querem que você goste dela pelo que ela tem, e as diferentes.

Eu sinceramente odeio os julgamentos porque eles criam generalizações e generalizações criam preconceitos. Preconceito é e sempre será ruim. Entretanto não estou querendo criar nada de ruim e, até o final do texto pretendo falar bem das mulheres, mas vou iniciar falando da parte ruim e como os homens influenciam nisto.

Vamos lá. A mulher é sensivel, a mulher acredita no amor (pelo menos a maioria que conheci até agora), acredita nos bons sentimentos e, principalmente, biologicamente foi feita para ser mãe e compartilhar com sua prole o que ela crê. Imagino: o que sua mãe fez por você pode refletir bastante no seu caráter e talvez por isso você venha ser uma boa pessoa sem muito esforço.

Entretanto, não sei se eu estou vendo coisas, mas dos anos 90 pra cá sinto que um furacão passou por aqui e bagunçou todas as coisas que pode. Certas mulheres hoje em dia criaram uma certa história de amor com o mais bizarro que possa ser num relacionamento; um com a sociedade e outro com seus parceiros(as).

Vou citar um ícone de tudo que uma mulher pode fazer pra se manter no topo da pirâmide. Geisy Arruda. Muitas pessoas acham que ela superou, venceu as dificuldades, ‘saiu por cima’, *insira qualquer argumento vazio aqui*. A verdade que eu acredito é que ela manchou o que muitas mulheres sérias tentaram construir para diminuir o preconceito e a sacanagem histórica que tem sido feita com elas ao considerarem-as inferiores.

Pense comigo. Você usa um vestido curto, que é seu direito, e as pessoas começam a te xingar de puta e vagabunda, homens afirmam que irão fazer varias safadezas violentas com você, seus professores lhe reprovam, seu diretor lhe expulsa. Você é vista por milhares como a menina polêmica do vestido curto. O que você faz? Qual é a coisa realmente certa a se fazer? Usar disso para conseguir fama é disparado a mais inteligente e interesseira conduta, todavia é de longe a mais absurda e imbecil.

Vamos voltar a fita e começar do início. Porque ela usou o vestido? Lembra de como muitas mulheres classificam os homens? Pois bem, dentre os descarados existe uma subclasse que muitos chamam ‘playboys’ mas eu vou me limitar a seguir uma exemplo geral. é aquele cara que aparenta ter um dinheirinho, que costuma querer ficar com muitas meninas e aparenta ser infiel. Geralmente tem carro e se beber dirigirá. É o homem crianção. Infantil muitas vezes, algumas vezes homofóbico e machista. Não estou generalizando os homens, só estou falando dos homens que se encaixam nesse universo que descrevi.

Bom, por mais que a mulher saiba que o cara não lhe da valor, que ele costuma mostrar para todos o seu carro rebaixado e não o que realmente ele tem de valor, e, que principalmente, ele pode ser um cara que vai lhe trair futuramente, visto que ela é mais uma e apenas, o que ela faz? Ela ignora. As bonitas não fazem muito esforço, mas ficam submissas ao que quer que for. Outras versões deste tipo de homem que falo não são jovens. São velhos, alguns arrogantes, descuidados com seu corpo. Aí eles escolhem com quem querem ficar e elas escolhem as cifras da sua conta bancária.

E o vestido o que é? É a sua propaganda. É o convite. É o que vai fazer o homem olhar pra você pelos seus parâmetros. Burras são essas que infelizmente nunca vão ser vistas por aquilo que verdadeiramente são. Um exemplo lindo é a Tiazinha que depilava meninos e usava lingerie. Ela deu um surto tardio de consciência. Queria ser vista agora por uma mulher que pensa, e não por uma mulher que tem no seu corpo a sua biografia. Foi tão tarde que ninguém sabe por onde anda. É o mesmo que dizer que uma das coelhinhas da playboy vai lançar um livro sobre física simples que vai nos trazer novos questionamentos. Isso sempre seria uma piada e nunca um mérito.

E aí entramos naquilo que os machistas adoram dizer. A incapacidade da mulher. Seria a mulher pior e mais burra que o homem? O que eu penso é que, de uma forma geral, o ser humano se esforça bastante para manter-se num patamar elevado de ignorância. Mulheres e homens são dois imbecis. Um por achar que seu carro e seu dinheiro é tudo que eles precisam para se destacarem e a mulher por fazer exatemente isso. Destacar este cara. Ou melhor, fazer ele acreditar nisso.

E aí as generalizações ruins tomam forma e as vezes parecem ser verdade. “Mulher gosta é de dinheiro, quem gosta de homem é viado”. Quando vemos aquela notícia dizendo que tal menina, de não mais que 22 anos, se casou ou está namorando com fulano, que é rico e famoso, lembramos da tal frase. Mas porra, você mulher também, que se encaixa nestes padrões, está vacilando. Não tanto por você. As vezes o mundo não te dá muitas chances. Talvez você tenha preguiça pra estudar e subir pelo caminho mais complicado (mas não tão difícil). Esse labirinto social é um saco realmente. Porém, que merda é essa. Sua filha vai ter que fazer a mesma coisa, e suas netas, enquanto forem assim.

Isso inclui o velho teste do sofá, e os casamentos arranjados. Eu acho que boa parte das atrizes, quando novas, se não tinham quem as indicassem para algum papel faziam ali mesmo, na sala do diretor ou do produtor, alguma gracinha. Engoliam algo que não lhes pertencia e por fim eram felizes. Mulheres de visão. A culpa não é totalmente delas, porém é o caso, se você negocia com um terrorista e da tudo certo, outros terroristas irão  ver nisso uma oportunidade. A possibilidade de tornar isso normal e rentável.

Muitas mulheres possuem uma desculpa na ponta da língua. “Você não conhece ele para julgar assim”. E agora eu vou fazer meu pior julgamento, se eu estiver errado pode me xingar nos comentário, se eu estiver certo, não precisa fazer nada. Você conhece o cantor chamado Belo, certo? Procure no google uma foto atual dele. Cheio de maquiagem e de cabelo louro. Ainda assim ele não é EXATAMENTE um galã. Talvez você não o ache feio, mas lindo ele certamente não é. Antes da fama, entretanto, ele era pior. Agora fica a pergunta. Se você fosse Viviane Araújo você ia casar com esse cara? Lembre-se, esse cara é POBRE e SEM DINHEIRO. As mulheres diferentes dirão que “nunca se sabe”, pois “ele pode ter qualidades que não estão no exterior”. Mas a grande e avassaladora quantidade de mulheres, na qualidade de serem uma Viviane, iriam dar risada quando um tal Belo Pobre as chamasse pra sair. Eu estou errado?

Se não lhe convence dizer isso. Faça uma pesquisa. Com quem os famosos são casados? Empresários, ricos, outros famosos. Tirando os jogadores de futebol que muitas vezes levam consigo a mulher que estava do seu lado quando ainda não eram nada nem tinham nada, a grande maioria se relaciona com gente que condiz com seu status. A primeira desculpa que se dá é que esse povo geralmente frequenta este meio e então seria uma excessão raríssima se relacionar com alguém de outra classe social. MENTIRA. Tome como exemplo uma banda teen como KLB, que deve ser assediado por tantas meninas. Eles devem pegar da mais pobre à mais rica da platéia, contanto que sejam “interessantes” . Trocar fluidos pra eles pode, e ter um relacionamento assumido não? Hipocrisia.
Dia 8 de março vem aí. Mais um ano para a mulher repensar suas atitudes e continuar tomando os espaços que lhe foram negados historicamente. De acabar com o preconceito que lhe persegue. E, principalmente, de fazer com que lhe dêem o verdadeiro valor. Use seu shortinho, seu vestidinho, até faça fotos sensuais, mas principalmente seja muito mais do que isso. Faça o que for para ser vista como uma mulher que sabe o que está fazendo e o que está falando. Não se deixe ‘emburrecer’. O pior de vazio que uma pessoa pode ter é o da sua própria cabeça.

Antigamente era normal matar a mulher que era adúltera. Hoje, mulheres podem ser tão adúlteras quanto homens (com excessão dos países cuja religião sentencia a morte das pessoas) que permanecerão livres. Porém vejo que um passo está sendo dado para trás. Um grande passo. A mulher está se deixando ser submissa mais uma vez. Talvez não ao homem em si, mas ao sistema, ao status, ao dinheiro. Se você quer realmente ser vista como a Tiazinha que teve o surto de consciência, talvez não esteja tão tarde. Além de tudo, você própria precisa acreditar que tem mais do que peito e bundas. Quanto às mulheres diferentes, todas tem o meu respeito por não se subjugarem quando poderiam te-lo feito. Talvez vocês nunca sejam ricas como a mais nova coelhinha que está namorando com aquele barrigudão dono da Petrolífera Sicrana, ou o Bicheiro Sacana, todavia eu acredito que a dignidade e a liberdade que você possui é incomparável. Não se precisa de muita coisa para ser feliz mas basta uma vírgula para se ter uma vida risível.

Por fim, algo para refletir:

Algumas pessoas são gays. Supere isso.

Publicado: domingo, 23 janeiro, 2011 em Crônicas

Quando também um homem se deitar com outro homem como com mulher, ambos fizeram abominação; certamente morrerão; o seu sangue é sobre eles [Leviticos 20:13].

Muitas das coisas que me incomodam estão bem distantes do meu cotidiano mas de tão brutais eu não consigo me conter e aceitar. Na verdade, eu acredito que é preciso ser muito egoísta para fechar os olhos para algumas questões. Como quem viveu a segunda guerra e não achou aquilo extremo, ou viveu na ditadura e não ligou para o filho do seu vizinho que desapareceu misteriosamente.

Isso acontece quando eu vejo uma criança passando fome (bem, eu não sou uma criança, nem passo fome) e se estende até a África, onde muitos passam fome; quando sei de desastres naturais que ocorreram em detrimento da economia (apesar de não ter sido eu o principal culpado); quando vejo um povo dominado por uma minoria rica e, mantem-se miserável já há tantos séculos; e, quando eu vejo algo que é baseado no mínimo do preconceito, do racismo à homofobia, idem para tudo que envolve religião.

E sabe o que é pior? Um católico fervoroso ou um evangélico fundamentalista dificilmente irá conseguir passar desse parágrafo. Somente por um fato estranho, suas convicções religiosas muitas vezes o impedem de serem tolerantes com os não-religiosos. O que é pregar o evangelho afinal? Angariar mais almas para seguirem os pré-requisitos divinos. A verdade estabelecida. A lei. A bíblia. E todos, sem excessão deverão ser convidados. E ai de você se disser que ele está errado.

Eu sou agnóstico assumido. Eu não tenho as respostas para a pós-morte, mas principalmente eu acredito que ninguém tenha ‘a resposta’. O mais próximo que eu tenho, e certamente é o mais sincero que alguém pode ter, é um convicto – Não sei. Todavia, longe de estar conformado, continuo buscando nas mais diferentes propostas aquilo que eu acho que pode fazer o bem. Por hora posso dizer o que definitivamente não faz o bem, segundo o pouco que sei, e a partir daí discutir.

néscios, infiéis nos contratos, sem afeição natural, irreconciliáveis, sem misericórdia. Os quais, conhecendo a justiça de Deus (que são dignos de morte os que tais coisas praticam), não somente as fazem, mas também consentem aos que as fazem [Romanos 1:31-32].

Definitivamente sentenciar a morte de alguém somente por esta se opor ideologicamente aos seus ideais é uma das piores coisas que se pode fazer. Maldade mesmo. Contudo amigos, este ponto bíblico é fundamental. O cristianismo se baseia em dois preceitos que se completam: a fé e o medo. A punição eterna é o início disso tudo.

Que coisa bonita é o pecado. Uma série de questões que se você fizer, a ira de Deus cairá sobre você. Eu pessoalmente não concordo sequer na forma como o pecado é tratado. Mais medo? Não basta o inferno e os 10 mandamentos? Se você não sabia que existem muito mais do que 10 mandamentos sugiro que volte para a bíblia e observe as muitas excessões.  Os sodomitas, sem afeição natural ou, os homossexuais não herdarão o reino dos céus. Uma pergunta que um cristão deveria fazer mas certamente não o fez é a chave para o simples questionamento: POR QUÊ?

Sim, por que não herdarão? O primeiro ignorante (no sentido de ser burro mesmo) dirá, – ‘Mas não é obvio? Isso não é natural.’ Mal sabe ele que sim, há casos de homossexualidade na natureza, do seu cachorro, passando por equinos e caprinos, até aves. Inclusive, se você acha que a homossexualidade é algo super anormal, o que você me fala do incesto? Pois o incesto é absolutamente natural.

Mas voltando à naturalidade da questão, isso não é sequer um argumento. O que a nossa sociedade é? O brutal inverso espelhado da naturalidade. Vivemos não mais em função da nossa sobrevivência, mas em função do conforto. E que se dane a sobrevivência nossa e do restante vivo do planeta. Com base nesses moldes, não, a naturalidade da questão sequer é um argumento.

A verdade é que sempre foi uma questão pura e simplesmente cultural. É isso que move a maioria dos preceitos bíblicos e muitos dos costumes mais aceitos. O que muitas pessoas não sabem é que a maioria dos costumes cristãos são simplesmente o reflexo da cultura judaica da época. Muitos insistem em não crescer e continuar vivendo numa época tão extremista quanto a idade média. Alias, a idade média é um otimo exemplo sobre o que se pode fazer com a bíblia e os costumes, levando-os à risca.

Morram todos aqueles que não obedecem o Senhor. Vamos conquistar a Terra Santa. Vamos sobrepujar nossa verdade sobre todas as outras. Vamos, pois Deus é Amor e se você não é digno deste amor, merece morrer.

Não sabeis que os injustos não hão de herdar o Reino de Deus? Não erreis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os maldizentes, nem os roubadores herdarão o Reino de Deus [I Coríntios 6:9-10].

Pra mim essa questão toda acerca da OPÇÃO sexual de cada um é tão absurda como todos os outros problemas que eu já ouvi falar. É extrema principalmente porque não é a sua vida que está em jogo nem a sua felicidade. É a vida de outra pessoa tão boa, ou tão ruim, quanto você, mas que principalmente tem um direito, o principal, que é o de viver a sua vida e tentar fazer isso da melhor forma possível. Se o seu Deus não serve para ela, ou para mim, ou para seu filho, deixe ele viver, garanto pra você que não é muito difícil fazer isso.

Aí muitos começam o que Dawkins chama de ‘incredulidade pessoal’. Que apesar de não ter conhecimento, não ter argumentos, fecha-se como uma tartaruga num casco de convicções vazias. Nesse momento a maioria dos cristãos já fecharam a janela após julgarem-me um extremo blasfemo, o que é uma pena pois estou discutindo tudo isso na maior calma e sinceridade. Outros, provavelmente estão contentes pela certeza que meu fim será o Inferno e sem pena, contarão pra alguém que ‘este mundo está perdido’ porque leram algo que um não-gay defente os gays e ainda cita a bíblia.

Bullshit. Bestera. Bobagem. O que preferir. Todo esse assunto é o pior corredor de uma maratona, o pior piloto de fórmula 1, ou um ciclista sem rodas numa competição. É o extremo do ultrapassado. Como isso não é claro? ‘Meu Deus’, quão obvio é o fato de que não podemos continuar presos aos moldes da sociedade do século 2 a.c. onde era normal matar as pessoas porque se sonhou que essa pessoa era má, ou por qualquer motivo banal? Eu acho absurdo.

Há pais que espancam seus filhos porque assumiram sua opção. Os pais esquecem que essa opção existe. ‘O meu não, minha família só tem macho!’ ou ‘Ainda bem que nenhuma filha minha deu pra ruim, pra sapatão’ dizem. E sim pai/mãe, você está errado(a). Quando você morrer (o que vai acontecer um dia, acredite!), seu filho(a) vai tentar ser feliz sim, e a única coisa que você proporcionou foi um trauma e baixa estima. Tudo porque você não aceitou a maneira pela qual sua prole decidiu viver sua vida sem fazer mal a ninguém.

‘A família está acabando, é o fim dos tempos’. Os alarmistas adoram esses ‘argumentos’. Família boa é aquela que mantém esse sistema do jeito que está não é, com todos os seus erros, egoísmos e desigualdades? É o chamado cidadão do bem. Pasta na mão, indo ao trabalho, dá bom dia a todos. O tipo bem sucedido, o ‘doutor fulano’. Mal sabem que foi ele mesmo quem desviou alguns milhões do inss dos aposentados ou, é ele o dono da empresa X que dá mais valor ao lucro do que a saúde dos seus funcionários ou, ainda, aquele que vive de propinas às autoridades ou demais ilegalidades em prol da manutenção do seu status.

Isso é só um exemplo, pode ele ser boa pessoa também, claro, mas definitivamente eu acredito numa coisa: Religião, status, sexo e nacionalidade não define o caráter de ninguém. E, principalmente, eu acredito que existe muita gente boa neste mundo, mas a quantidade de gente ruim consegue ofuscar o trabalho destas e faz parecer que o mundo é pior do verdadeiramente é.

Muitos cristãos conseguem virar esta página e deixar que os homossexuais vivam sua vida. Existem, inclusive, alguns outros segmentos da igreja que reinterpretaram as escritas e inclui ao reino dos céus os gays. Pesquise um pouco e verá. A questão é que, seja pela religião, seja pela ‘vergonha’ de ter um membro da sua família um baitola ou sapatão, comece a se reorganizar mentalmente pois eu vou lhe informar o óbvio: as pessoas merecem ser felizes e podem fazer essa opção (entre muitas outras) independente do seu consentimento.

Em alguns países a homossexualidade é punida com a morte, como na bíblia. Sorte dos homossexuais que ainda possuem este luxo, o de viver, porque, vou te contar, deve ser uma merda viver uma vida de mentiras. Eu espero estar vivo ainda para um dia ver pessoas sendo mais tranquilas com as escolhas das outras. Pra mim justiça é permitir que todos tenham iguais condições de viverem alegres. Gay, é uma palavra da língua inglesa que significa alegria. Eu, como ser humano, sinto muito que muitos gays não possam viver essa alegria em sua plenitude. Admiro os que conseguiram superar as dificuldades e, principalmente os que fazem o bem.

Aos cristãos, certos pais, e todo o restante extremista que acha absurdo e inquestionável a idéia, fica ai a minha esperança para combater seu casco de tartaruga. Algumas pessoas acham que não ser muçulmano deve ser punido com a morte, segundo Alá. Não seria injusto nascer num local onde a minoria não pode escolher como viver sua vida? Eu acho que um homossexual se sente, numa sociedade preconceituosa, cheia de julgamentos e ‘cascos de tartaruga’, como um cristão se sentiria num centro extremista islâmico. Se você achava que não tinha muita semelhança com os pecadores homossexuais, tá aí mais uma verdade, vocês são idênticos. Principalmente por mais um óbvio ululante, vocês são seres humanos, com os mesmos defeitos e muitos anseios.

O futuro, espero, vai rir de nós. Do tamanho da simplicidade e do ridículo que afoga nossa sociedade. A humanidade é uma criança birrenta que não consegue mudar de canal mas não ouve as orientação de seus pais que são bastante simples. A natureza é clara quanto às consequencias da desunião, fica-se fadado à brutal competição e toda e qualquer disputa trivial. Já fomos assim, quando organizados em clãs. Duvido que queiramos voltar a este patamar. A começar dos conflitos com homens bombas e bombas feitas por homens, passando por guerras ridículas e disputas pelo poder, atravessando toda a problemática ambiental e de saúde, bem como o sistema capitalista e os comunismos-capitalistas, até a religião e as escolhas pessoas. Sim, é preciso que nos entendamos. Trouxe o mais fácil da lista imensa de problemas que possuímos enquanto humanidade.  Se você quer escolher o mais difícil da lista, é sua escolha, porém, se quiser fazer algo bom, apenas vá para seu travesseiro pensando que, como você outras pessoas também querem viver com toda sua plenitude e, vai ser muito bom se você permitir isso. É simples.

Acabei achando esse folheto depois que escrevi o texto. Engraçado como ele resume tudo que eu disse. Abraços.

Ps: A palavra OPÇÃO utilizada no texto não diz respeito à pessoa querer ser gay ou não, não é isso. É o fato de que, tendo nascido, qualquer pessoa tem o direito de viver da forma que quiser.

Poderia ser alguém…

Publicado: quinta-feira, 23 setembro, 2010 em Crônicas

  1. Algo sempre nos consome...

Aconteceu aqui, há pouco. Tão rápido que a notícia logo chegou em minha casa e eu fui atingido de certa forma. É o provável motivo pelo qual escrevo agora, todavia sinto que é importante compartilhar a sensação com todos. Um desconhecido. Alguém. Acordou, escovou os dentes. Tinha aula pela manhã. Estava no segundo semestre daquele curso que ainda durariam mais 8, provavelmente. Pegou o celular e viu que horas eram, estava atrasado. Antes de abrir a porta, deu tempo de ler a ultima mensagem que a namorada enviou no dia anterior. Sorriu um pouco, pôs o capacete e foi assistir sua aula.

Chegou, tirou o capacete e foi procurar sua sala. Ainda não estava acostumado. Essas salas sempre mudam repentinamente… Sorte que encontrou com um colega. Apertou sua mão, deu um bom abraço e seguiram juntos.

A aula era até boa, conversou com alguns, e foi levando aquelas pouco mais de 3 horas que lhe restavam, com tranquilidade. Tinha que resolver certos assuntos antes, talvez tivesse que sair mais cedo, mas ainda faltava bastante. Saiu, foi no banheiro rapidamente.

Olhou-se no espelho um pouco. Lavou o rosto. Se pôs a pensar no caminho que traçou até alí. Saiu de sua cidadezinha, ficou perto de alguém que ama e que gostaria de estar sempre. Estava tudo se arrumando, que bom. Riu pra si mesmo, tocou com certa vagareza no papel higiênico e fez um bolo grande com uma das mãos. Enxaguou o rosto, se olhou ainda mais uma vez para ver se sobrara algum pedacinho de papel ao redor do nariz e olhos.

Entrou na sala novamente, o professor nem notou sua saída. Sentou no seu mesmo lugar, e esperou mais algum tempo.

A lista de frequência finalmente apareceu, assinou, conferindo-a rapidamente, como se houvesse algo que devesse ser conferido. Não havia, era só assinar e passar. O colega seguinte não tinha caneta, ele emprestou. Ainda mais duas pessoas utilizaram aquela caneta. Guardou, esperou um pouco mais.

Havia um trabalho pra ser entregue naquela semana ainda. Haviam compromissos. Era muita coisa pra pouco tempo. Meio de semestre é assim mesmo, muitas reviravoltas. Mas, pra seguir adiante deve-se superar tudo isso, e ele sabia. Foi difícil chegar até ali. Seu nome na lista foi um marco. Tudo que fez no semestre anterior se repetiria até o fim do curso. Ainda era considerado um calouro, mas, com o tempo a experiência viria.

A hora estava próxima. Levantou-se, enquanto alguns discutiam algumas questões que o professor passara. Ligou o veículo, pôs o capacete. Foi seguindo devagar até o portão, ainda pensativo. Logo lembrou-se que não havia abaixado o tripé e o fez antes de cruzar o portão. Virou à direita, não estava tão rápido. Estava indo pra casa. Na esquina surgiu outro veículo, um caminhão. Seu reflexo não foi suficiente. Estava já no chão, inconsciente. Era um acidente. Algo inexplicável. Sua inexplicabilidade sozinha não anula o fato, já havia acontecido. Logo alguém acionou o celular. O resgate já estava chegando.

Os enfermeiros chegaram na ambulância com a pressa que se espera em casos emergenciais. Logo foi para a sala e muitos médicos tentaram reanimá-lo. Adrenalina e todas os procedimentos que se toma quando o coração já não bate. Massagem. Volts.

Não adiantou. È normal dizer que a hora dele era aquela. Ouve-se sempre isso, como algo vazio. Como algo simplório. A verdade é que não existe nenhuma explicação. Sua história enquanto ser vivo terminava ali. Iniciava-se outra, entretanto, que envolve todos que o conheceram. Sua namorada, do lado de fora, apreensiva por uma notícia. Não haviam 10 minutos que soube do ocorrido. Só queria saber se estava tudo bem, só queria ouvir algo bom.

Logo alguém veio e esclareceu a dolorida verdade. ‘É mentira!!’

Aqueles gritos cortaram o coração de todos, mas não havia nada a ser feito a não ser chorar e sentir. Tardará ainda para se digerir a informação, mas aquele homem não vive mais entre nós. Poderia ser seu amigo amanhã, poderia ser seu vizinho. Poderia ser alguém pra você. Mas agora, nem isso. Vá em paz.

Texto inspirado na noticia seguinte, que diz respeito a um acidente ocorrido em Jequié – BA, no dia 23/09/10, sobre um estudante de enfermagem que passou por mim algumas vezes. Aos familiares e amigos, meus pêsames. A caminhada é dura. Um abraço não resolve, mas é o máximo que se pode oferecer numa hora dessas.

Se

Publicado: quarta-feira, 11 agosto, 2010 em Versos

Se um dia
tu achar alguém
que ame mais que eu
aposte, acredite

Quando parecia
haver um limite
para tudo
que eu sentia
e imaginava
percebi, nem era instransponível
mas, pra mim, não é assim
tão pouco.

Ninguem sabe o que é
ficar o dia
dias e dias
pensando num amanhã
um amanhã mais simples
e certamente, mais tranquilo
das noites com pezinhos
que se enroscam e esquentam
das risadas espontâneas
das coisas bonitas
dos olhares queridos
do cochilar inesperado
no meio de um filme.

Ninguém sabe o que é nós dois
a não ser, nós mesmos.

Acorde bem, durma sem mim
mas não esqueça, que nessa hora
eu vou estar lembrando de tudo
e esperando tu, aqui.

Se

Se

A Safada

Publicado: segunda-feira, 9 agosto, 2010 em Escape

Distintos Candidatos

Ah, gosto desses tempos. Parece que por um momento todo mundo se importa com o país e com os rumos. De longe, a impressão do conhecimento coletivo, dos interesses nobres, altruístas. Uma lente de aumento, mesmo trincada ou sem foco, mostra que a sujeira está em todo canto e, fica muito difícil imaginar um pontinho que se salve. Entretanto aí se cai em outro perigoso discurso; o conformismo pessimista.  Diferentemente do conformismo alienado, que indica a manutenção pela ignorância, o pessimista incorpora o extremo ceticismo e, de tão convicto da imutabilidade age da mesma forma que o alienado.

Não estou citando as pessoas que votam nulo. Sei que algumas não tem consciência do significado do voto nulo. “Nenhum presta e pronto”. Eu faço isso em algumas circunstâncias. Eu falo do caso da manutenção pelo menos pior, como se isso fosse um marco coerente. Dando nome aos bois, observe nossos candidatos principais à presidência. Marina Silva, José Serra e Dilma Roussef.

Vou começar pelo mais fácil. José Serra. De cara, é um cara reprovado nos meus conceitos. Não o conheço como ser humano, mas como político não preciso de mais detalhes. Em primeiro lugar, ele é de direita, e isso já é o suficiente. Defender privatizações. Agir em prol da economia e, consequentemente, da elite. Conservador. Isso nos dá uma ampla gama de pensamentos. Significa que desenvolver o país é crescer economicamente, mas isso não significa que o mais pobre vai deixar de ser pobre e que o mais rico vai deixar de ser absurdamente rico. Pasme, a lógica do sistema deveria obviamente ser, invertar e nivelar essa pirâmide. Se Fernando Henrique não deu prioridade à educação e deu mundos e fundos para os bancos, porque seria diferente agora? Dar saúde para as pessoas, melhorar os hospitais? Que ridículo. Isso não deveria nem ser pauta de governo, ou melhor, não deveria nem ser o carro chefe do governo. Isso é o óbvio. A questão é que as pessoas se acostumam com a ausência de uma forma tão maluca que quando alguém fala ‘vou melhorar os hospitais’, parece que ele é o messias. O messias careca que vai terminar de vender o país.  Os bancos agradecem. Não, não voto em serra porque a política da direita é absurda. O capitalismo é absurdo e, as pessoas que não percebem o teor de injustiça que percorre por todo o sistema são, no mínimo, desinteressadas. Sempre tem um ‘bonzão’ que fala: Ah, você fala demais, mas você não compra também? Amigão, uma coisa é você viver uma coisa porque não há alternativas, outra coisa é você ajoelhar e chupar seus políticos que montam em cima de você depois.

Marina Silva. Minha decepção dessas eleições, mas eu já esperava. Eu imaginava uma linha mais Heloísa Helena (apesar de alguns parâmetros um pouco conservadores da parte dela). O pico pra mim foi a interferência religiosa frente às suas propostas. Ví ela afirmar que não aprova o casamento gay. Eu acho isso extremo. A condição da opção de cada um supera todos os credos e crenças. Esse tipo de conservadorismo eu não estou querendo apoiar. Muitos falam ‘Ah, mas a marina tem uma luta com os movimentos sociais e o meio ambiente’. Sim, mas se vc analisar a linha dela e a linha da Dilma Roussef, chegamos numa questão bastante homogênea.

O ponto aqui é a mudança. Veja os discursos de Lula contra Collor. Pra depois de mil anos ele vir dizer que o cara nasce de direita e depois caminha pro centro. Quer dizer que o sentido do governo é estar num meio termo e agradar todo mundo? Não senhor. Eu não quero isso. Ví um governo que deu muitas oportunidades, que implementou projetos muito bons. Como todos os dias no restaurante popular (1 R$), sou funcionário público, conheci muitas pessoas beneficiadas pelos programas sociais, quase comprei uma casa pelo minha casa, minha vida. Beleza, a fruta não é exatamente podre. Foi um governo normal.

É isso, um governo normal. Os ricos continuaram riquíssimos, o boom desenvolvimentista permitiu oportunidades. A crise foi superada de um jeito interessante. Ok. Agora onde ficou o espírito sindicalista, o pezinho socialista dos anos 90? Nada. Pra que eu quero ver uma árvore podre ter seus galhos mais podres podados se o caso mesmo é a raiz? Lutar pelo meio ambiente, diminuir a desigualde NO CAPITALISMO? Só um animal bem irracional ia achar que isso é possível. Ecocapitalismo? Pra mim é o mesmo que Sociocapitalismo. Isso não existe. Não é uma questão de opção, não é uma questão de manutenção, é uma questão de relógio. Se não for pelos recursos exauridos pela máquina da produção e consumo, vai ser pelos milhões de miseráveis que perceberão a injustiça de mais de dois mil anos. Sim, porque desde plebeus X patrícios da roma antiga que tal desigualdade safada encabeça nossa sociedade.

Votar em A, B ou C na esperança de que, de manter uma normalidade ainda que desigual? Que motivo bonito. Não crucifiquei Lula, não é isso, mas faltou. Faltou mais radicalismo. Faltou dar prejuízo aos bancos, faltou tomar dinheiro das grandes empresas, faltou estatizar o que foi privatizado, faltou minimizar a desigualdade mais evidentemente. Prouni é legal, cotas é emergência. Mas cadê as escolas municipais funcionando tão bem quando os ‘colégios modelo’? Cadê a valorização do professor? Você quer fazer isso no capitalismo, irmão? Que piada.

Em todo caso, escolhi um cadidato que não é nenhum dos anteriores. Por mais que eu acredite que a dificuldade é de certa forma extrema, eu ainda tenho experança que, pelas vias republicanas alguém vai subir no poder e balançar tudo. Votar no menos pior? Nunca. Política safada essa.

A sutil diferença…

Publicado: terça-feira, 3 agosto, 2010 em Escape

E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança.
E começa a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas.

Começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança.

E aceita que não importa o quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso.

E o tempo passou. Tanto passou que não foi possível perceber. Havia uma mínima diferença entre o antes e o hoje. Diferença essa que separava o insuportável do maravilhoso, mas ainda assim não foi possível perceber.

Eram dois. Dois que aprenderam e que, moldados por suas histórias se conheceram. Se amaram. Como se amaram. Parecia que o mundo ia acabar amanhã e que tudo que tinham que fazer era agora.  Uma história grandiosa. Daquelas de fazerem os netos se emocionarem. Mas a imaturidade, a burrice, a dúvida e principalmente o desconhecimento fizeram de algo grandioso, vil. Tanto que se perguntarem ainda agora se há algo de bonito na história, certamente dirão que não. Ah, o julgar. Coisa tão fácil de fazer. É, muita vezes maldoso. Julgar indica um pensamento decisivo sobre algo que não necessariamente se conhece. É ruim.

Vale a pena, ainda assim, contar. Os protagonistas da história se conheceram no inverno. Fragilizados por relacionamentos anteriores. Conturbados, dolorosos. A atração, a entrega, o carinho, tudo no mesmo dia. Não demorou e tudo ficou mais claro; declarações e saudade.

O tempo fez tudo ser vivido como deveria ter sido. Os dias sem fazer nada numa cama, só pela companhia um do outro, o prazer do reencontro nos finais de semana, as brincadeiras e gargalhadas. O conhecer, um do outro, coisa mágica que não se vive tantas vezes numa única existência.

E a entrega. Coisa sublime. Como se o sentido de um fosse o outro. Como se aquilo bastasse. Ela bem dizia; o mundo pode acabar lá fora. Era isso. Não importava a tristeza, a agonia, tudo que existia de ruim. Era só aquilo. Aqueles dois, e pronto.

E o mesmo tempo que fez parecer isso claro e indubitável, pôs duvida e conflitos. O bocejar não tinha mais brilho, os olhos não eram os mais queridos e sua pinta não chamava mais atenção. Era a vida passando e ficando um pouco cinza, desgasta.

O que chega a ser engraçado. As coisas melhoraram até. Era só a imaturidade, o desconhecimento. E tudo foi jogado no abismo sem, talvez, chance de resgate. Pode ser o fim de uma história. Pode ser o aprendizado pra uma vida inteira. Sim, pode. Mas o que importa mesmo é a convicção e percepção do antes e, muita esperança para o depois.

Acreditar.

Deus sem você…

Publicado: quinta-feira, 3 junho, 2010 em Crônicas
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Hoje é feriado. Corpus Christi, e eu resolvi comer fora, já que o restaurante popular não abre em feriados. O dia começa com eu achando que Corpus Christi é o mesmo que Finados, o que, logicamente não é e, se você for mais ‘inteligente’ que eu, basta conferir no calendário que existem datas distintas para as duas ocasiões.

De qualquer forma, eu não dou a mínima para discutir a viabilidade ou não deste feriado. Todo ano as pessoas acabam se perguntando o que é. Pra quem se importa, vale a pena. Como, eu não vou falar sobre isso hoje, não vou me ater em teorias e explicações sobre o assunto, mas pra quem quer criticar ou questionar, é importante saber, sempre.

O caso de que falarei, aconteceu há poucos minutos. Como disse, saí para comer fora. Um PF num barzinho, que é o que estava ao alcance dos meus arrochados bolsos. Por uma bagatela de 10 reais, uma picanha, arroz, feijão, salada e uma pepsi. Valeu a pena, mesmo sendo incomparável aos R$ 1,00 do restaurante popular, mas quem mandou existirem feriados…

Ao sair, fui em direção a minha moto. No meio do caminho, um carro estacionado rente à calçada chamou minha atenção. Tinha um adesivo. Um adesivo com Deus. Pensei ‘preciso ler’. Quando li, não acreditei. A pessoa que colou o adesivo deve ser burra o suficiente para não entender, ou, não tem o mínimo de consciência de que ela pode ser alguma coisa.

“Deus sem você é Deus. Você sem Deus é nada.”

Esta frase choca-se com meu eu, como uma marreta. A vontade que tenho é de cair no chão, sangrar, morrer, e ver o que esse tudo-inquestionável-divino realmente significa. Brincadeira. A vontade mesmo é poder conversar com cada um, e questionar sobre como essa convicção torna alguém mais digno.

Vamos por partes então. Qual é o conceito que temos de Deus? Deus é o supremo do ser. O supremo do existir. O que não falha, o que pode tudo, o que tudo cria, o que tudo vê e sabe. Isso é o que sabemos. Na minha concepção, um Deus deveria carregar consigo todas as coisas plausíveis, o que inclui bondade e humildade. Não vale a pena ser um Deus comparável aos antigos reis da monarquia. Faça isso, faça aquilo, eu sou seu rei, você vivem em função da minha existência.

A primeira sentença da frase é até estúpida e óbvia, ela, por si só não é tão bombástica, a não ser pelo fato de não questionarmos, normalmente, a figura do Deus judaico-cristão. O que é algo que se deve fazer, por dignidade. “Deus é Deus, não questione”. O que é a mesma coisa que, não fale nada porque eu tenho uma bomba atômica, uma escopeta, ou fui eu quem te dei um rim. Talvez por isso muitas pessoas exitem em questionar as atitudes de seus pais. “Eu te criei, eu te fiz” e daí por diante.

Um outro aspecto que se deve levar em consideração, é o dedo indicador apontado para os que não tem Deus em suas vidas. É algo do tipo “Ei, você aí que não tem Deus. SEU NADA. Seu merda. Vire gente, aceite Deus, seja alguém. Seja como nós, completos, cheios de tudo que o criador nos deu”. É uma espécie de nepotismo. Nepotismo e bairrismo. Você é dos meus: privilégios. Você não é dos meus: exclusão.

Acho interessante o momento em que as pessoas são tão malucas que sustentam isso. “Você não pode namorar minha (meu) filha(o) porque não é de Deus”. “Você é um bom menino(a), só que precisa aceitar Jesus meu rapaz, sem Jesus você não é nada. Sua vida não tem sentido”. A, então o sentido da vida é Jesus. O sentido da vida tem sido Jesus por dois mil e tantos anos. Por dois mil anos, pessoas continuam reverenciando sem questionar. Vivendo nas coxas. Vivendo para algo que não aconteceu ainda e, ninguém voltou pra contar se é mesmo verdade. Seguiram numa estrada sem saber aonde vai dar, só porque estariam menos sozinhas no percurso. Na realidade, se Deus é tudo sem você, sozinho, ou com você, tanto faz.

Mas, o que faz de mim um nada, sem Deus? Primeiro deixe me dizer o seguinte, em gênesis, nosso Deus sem nenhum objetivo claro cria o homem. Tudo que ele afirma, neste momento é o seguinte:

Formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou-lhe as narinas o fôlego da vida, e o homem tornou-se alma vivente (Gen. 2:7).

Por essa perspectiva, teria Deus criado o homem unicamente para que este não fosse nada? Teria Ele criado unicamente para se tivesse alguém que dependesse Dele, incluindo reverências e adorações? Lembre-se do conceito de Deus que se tem, e, o que deveria ser (mediante nossa mínima capacidade de analisar o todo). Agora imagine o seguinte, você, ser humano, criando um robô com capacidade de reflexão e entendimento. Você criaria este robô unicamente para lhe adorar? Para que seus dias tivessem como objetivo a morte, para que enfim, pudesse encontrar com o seu criador e conhecer a outra esfera misteriosa da vida?

Você não é nada. É essa a lição que as pessoas acabam apreendendo com toda essa falta de percepção. Como assim eu não sou nada? De que vale viver então, se a única possibilidade de ser alguma coisa é reverenciando um ser que teria me criado sem o meu consentimento?

Servidão, escravidão, subserviência e agradecimento. É isso que é pregado. Você é impuro, nasceu do pecado. SE você seguir os preceitos da adoração, se viver de joelhos arrependido, se seguir uma série de regras e privações, se limitar suas atitudes em detrimento de um livro escrito há tantos milhares de anos (sem questionar a veracidade e a quantidade de alterações que sofreu), terás um lugar no céu. O que é o céu? Não podes ver. Que certeza ter de que ele existe? Não podes ter também, pois a palavra de Deus basta para tudo. Deus é Deus, esqueceu?

Eu poderia simplesmente dizer que não acredito nessa forma de pensamento, neste Deus apresentado desta forma, na legitimidade da bíblia? Poderia. Por que eu não faço isso? Porque é muito mais inteligente e fácil argumentar as próprias falhas deste sistema. Que divindade é essa que prega a completa desvalorização do que você é? Talvez não pregue, talvez seja uma simples interpretação, mas, veja nas palavras da bíblia se essa interpretação não é plausível:

Todo aquele que crê no Filho tem a vida eterna, mas todo aquele que rejeita o Filho não verá a vida, pois sobre ele permanece a ira de Deus (João, 3:36).

Então meus caros. Você que nada é, e que merece toda a Ira divina por não concordar, aceitar ou simplesmente, se importar com a vinda de uma divindade para ser crucificada na terra, o que fazer frente a tamanha culpa? Nos é induzido a acreditar pelo medo, nos é tirado o direito de ser alguém, por sermos mera criação e, ainda por cima, a punição nos é destinada. Se acha há muito radicalismo na minha fala, pegue este livro que indicam ser o manual do bom-samaritano-e-do-merecimento-para-a-vida-eterna e leia, como quem procura falhas num sistema.

Pra facilitar, vou dar duas dicas. Quem criou tudo foi Deus. Ele é Deus, nunca se esqueça. E ah, quando ele criou, ele sabia que tudo ia acontecer.

Questione mais. Ninguém tem certeza de nada, e, gastar sua existência num mar de humilhações, culpa e servidão, pode estar muito além do máximo que você pode fazer por você e pelas pessoas. Se você não é nada, tente criar pelo menos alguma coisa que lhe faça ter dignidade. Amor próprio, horna, tanto faz. Pra SER algo de maneira honrosa, basta estar satisfeito.

É melhor morrer de pé, do que viver de joelhos (Emiliano Zapata)