
Stalin estava errado. Einsten, certo. O que prevalece e consegue se estender no horizonte, o que consegue ultrapassar todas as barreiras do universo e percorrer a maior distância possível e inimaginável é a estupidez humana. A capacidade humana existe, todavia é limitava pela sua extrema e sempre surpreendente estupidez.
Fico me perguntando como nós conseguimos chegar no ano de 2011 ainda. Fico me perguntando quantos anos mais conseguiremos. Cada segundo é um recorde, cada estação é um milagre. Entre na minha capsula do tempo imaginária que eu vou lhe contar uma pequena e estúpida história.
Nos tempos mais remotos nós dizimávamos nossos vizinhos por estes possuirem recursos naturais e nós, como exímios idiotas, exaurirmos os nossos. Logo, todos passaram a auto-sabotarem seus próprios recursos de maneira mais ou menos uniformes e nós acabamos por escolher outros motivos para matar uns aos outros. Um dos primeiros e mais duradouros, foram os tesouros. Antigos reis cruzavam tudo e faziam tanto que podiam para poderem roubar o tesouro do inimigo. Depois vieram as mesmas disputas por terras e por pessoas. Sim, pessoas. Não da forma boa. A escravidão é que moveu a maioria dos reinos do mundo antigo.
Se a escravidão não foi a pior atitude humana, sem dúvida é uma das mais curiosas. Engraçado o fato de que todas as outras atitudes anteriores possuem algo em comum, algo importante e nefasto. O ‘eu’. Sim, o egoísmo com proporções egocêntricas conseguiu vedar o que de tão óbvio chega a ser ridículo. Um rei que ataca o outro reino, por água, por terra, por tesouros, está pensando em si. Em seu reino, em seu ego, em seu povo. Altruísta (muito difícil) ou não, ele está errado. Sim, o Rei deve ser deposto (e de fato foi depois de alguns séculos de cegueira).
Depois, o que temos em seguida na história da humanidade são as repetições. Primeira guerra mundial: os novos reis, chefes de estado das potências mundias decidem que a África é um continente inferior e deve ser partilhado para dividir suas riquezas entre eles e deixar, para os africanos, a miséria e a desgraça de um povo explorado, cheio de conflitos. Alemanha e Itália ficaram com migalhas da partilha e a guerra explodiu. Segunda guerra: tensões do expansionismo da alemanha nazista ( junto com o Japão e Itália) lutam contra o mundo. Entre outros conflitos, uma palavra mais em comum. O interesse. O ‘eu’ perseguidor.
Agora, século XXI. Quando, se eu contasse para alguém de outro planeta, talvez, sem imaginar o que é ser humano e o que é viver neste planeta, porém demonstrasse os efeitos e causas dos nossos principais problemas, certamente pensariam: ‘Certo, então depois deste tempo todo vocês conseguiram se entender’.
Errado, erradíssimo. Nunca estivemos tão longe. Nunca antes fomos tão imbecis. Não que sejamos tão idiotas quanto na época da escravidão, da inquisição ou das grandes guerras. Mas porque nós conseguimos mais uma vez superar nossa estupidez. Quando o ‘Grande Manual das Coisas Mais Absurdas e Imundas que Jamais Devem Ser Repetidas Novamente’ parecia completo, nós adicionamos novas fórmulas e, até plagiamos. É desolador.
Atualmente os mais proeminentes fatos residem no que o outro faz e não é da sua conta mas você quer muito prevalecer sua crença. Não fale mal do povo Islã (ou dos Judeus) pois eles irão colocar uma bomba na sua cabeça e explodir o seu metrô. Os caras estão brigando há dezenas de anos e, creio eu, muitos já nem sabem o por que nem como isso tudo começou. O mesmo vale para os cristãos, que mesmo com o seu livro sagrado dizer para não julgar e, para amar o próximo, acha-se no direito de brigar pela hegemonia de seus valores imutáveis frente a um mundo que, pasme, gira e muda a cada segundo.
Apesar das constantes novidades, algo ainda não mudou em nós. A nossa capacidade de sermos egoístas. Ouvi um comentário bastante profundo hoje de um ser humano imutável e, potencialmente estúpido. Ele disse que, frente aos valores deles, se dois homens se beijassem em sua frente ele seria preso pois não conseguiria conter sua violência para si.
Isso me faz pensar na bestialidade a que estamos submetidos. Pensei: ele te beijou? ele te forçou? ele te magoou? ele te xingou? ele te bateu? ele te matou? Ele, essencialmente, não lhe fez mal nenhum. Ele, só fez uma coisa. Ele fez. Isso, ele foi. Ele usufruiu do que a existência lhe oferece. Esqueça esse papo de família e valores cristãos, pois é furada e não serve para justificar atos. A naturalidade também não vale, uma vez que há homossexuais na natureza. Logo, o que vale? Vale você cuidar da sua vida e não supervalorizar o ‘eu’. Tão simples que parece que dá pra desenhar.
Na realidade, dá sim. É rápido. Pegue um papel e uma caneta e faça um círculo. Este é o seu planeta. Faça vários pontinhos de maneira aleatória mas com bastante velocidade. Chega um momento que fica difícil contar quantos pontos exatamente estão ali pois alguns pontos acabam se sobrepondo. Isso somos nós e nossas vontades. Enquanto nós sobrepusermos nossa vontade sobre a liberdade dos outros, será impossível conviver neste pequeno círculo.
Que você não aceite o Islã, mas que aceite o humano por trás do Islã. Existe um ser ali, igual a você. Que os palestinos não concordem com Israel, mas que respeitem cada ser humano presente e, principalmente se abracem ao invés de explodirem uns aos outros. Que o católico não gosto da homossexualidade, mas, que principalmente, só abra a boca para dizer coisas que dizem respeito a sua vida. Nada que acrescente o ódio e a ignorância é positivo.
Sem relativismos, sem poréns. O certo é viver e respeitar os limites dos outros. Os limites dizem respeito a atrapalhar a vida das outras pessoas. De fazer mal. O certo é não fazer o mal. Se você não faz o mal, você está certo. Não é bom matar outros, não é bom proibir as pessoas de viverem suas vidas e, principalmente (vou repetir 3 vezes para você entender), a pior coisa que você pode fazer é querer limitar a liberdade das pessoas aos seus valores. Uma frase antiga explica: A liberdade do outro estende a minha até o infinito. Viva sua vida mas não sobreponha os círculos.
a pior coisa que VOCÊ pode fazer é querer limitar a liberdade das pessoas aos SEUS valores
a pior coisa que VOCÊ pode fazer é querer limitar a liberdade das pessoas aos SEUS valores
a pior coisa que VOCÊ pode fazer é querer limitar a liberdade das pessoas aos SEUS valores
Pronto. Coisas lindas ditas, agora voltamos ao mundo. Se você ler o último parágrafo para uma criança de cinco anos, ela vai entender. Pois é obvio que matar outra pessoa e limitar a liberdade alheia com base nos valores de outra pessoa, não são coisas interessantes de se fazer. No exemplo do cristianismo, não se pede que a homossexualidade deixe de ser pecado. Você pode instituir que andar de bicicleta ou andar de uma perna só seja pecado, problema seu e de seus seguidores. O que não pode é você dar um tom maléfico para o ato e tratar os que cometem tal pecado como seres obscuros das profundezas do inferno que obrigatoriamente devem mudar de conduta. Se você for um pouco inteligente você vai perceber que nem todos são cristãos e, bingo, todos possuem direito de não o serem. Então, não julguem a humanidade como se todos devessem ser algo que verdadeiramente não possuem a obrigação.
Outra coisa, sua religião deve servir para unir as pessoas e fazer o mundo ser melhor. Se sua religião não consegue fazer isso, me desculpe, mas você está perdendo tempo dentro de um saco de merda que só está piorando as coisas. Sua religião não é boa, observe.
Por fim, muitas pessoas adoram se manter na ignorância. Se você conseguiu chegar até aqui, e discorda de tudo que eu falei, parabéns. Pelo menos você soube ouvir. O fato é, lembra desse desenho que eu pedi que você fizesse? Pois bem, esse círculo vai explodir em breve, talvez pelos nossos próprios esforços. Seja porque iremos repetir antigas guerras, seja porque não conseguimos conservar nossos recursos.
Pode se passar 10, 20 anos. Tudo vai continuar da mesma forma. Quando você olhar para o noticiário e ver que o mundo está uma merda, saiba, é sua culpa também. Ou porque você é um escravo do sistema e diz ‘sim!’ para todas as coisas, ou porque você não fez nada, sequer gritou, quando o absurdo bateu na sua porta.
Enquanto isso, eu sempre vou dar risada quando ver um tsunami acenando para a minha cidade no horizonte. Porque aí, finalmente, estaremos todos juntos em desgraça. Quem sabe assim, no extremo caótico possível, quando um católico tiver sua vida salva por um pecador, um palestino abraçar o ente querido de um israelita ou, um patrão receber a ajuda de um proletário, possamos entender que o caminho certo não está na nossa incapacidade de mudar e sermos os maiores estúpidos do reino animal.

Estava me perguntando porque o ser humano, no fundo, adora ler nos noticiários sobre as desgraças que assolam o mundo… enchentes, terremotos, tsunamis, instigam a curiosidade, dão ibope, a população no geral sente um certo prazer em assistir a desgraça alheia. No ônibus, no trabalho… ouvi pessoas falando com um certo entusiamo: vcs viram no jornal, parece que lá no Japão vai ter mais terremoto, mais tsunami? nossa, qts vão morrer?
Não me excluo disto, mas no intuito de tentar entender o porquê de me sentir assim, cheguei até seu texto, o li integralmente e o último parágrafo resume a maneira como enxergo as coisas. Lembro-me com 14 anos, assistindo o filme Armagedon no cinema com meu pai, e percebi que talvez, apenas assim, a humanidade deixaria de lado suas diferenças e se uniriam… TALVEZ!
Muito bom o texto Anderson, realmente uma das piores coisas que um ser humano pode fazer com seu semelhante é limitar a liberdade baseado nos valores que possui. E, talvez apenas diante de uma catástrofe a nivel global iremos aprender viver em harmonia e serem mais tolerantes uns com os outros.